sexta-feira, 28 de setembro de 2007


Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso)"



Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade.




Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão alimesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.


Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passívelde ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia serdesmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amorcego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, sãouma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?




O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nascostas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea porsopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amorfechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como nãopode. Tanto faz. É uma questão de azar.O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.




A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio,não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não sepercebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor éa nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amorque se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se podeceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Este texto está demais. Um bem haja a quem pensa como eu...Afinal não estou sozinho...

:)

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A força...

No outro dia passei a fronteira do físico para o metafísico... não sei como, nem quando, só sei que passei. De um momento para o outro toquei em "metade" da Lua, passei Saturno e os seus grandes aneis... e não sei onde parei...

A felicidade era imensa e indiscritível... Senti-me um HOMEM... como se desvanecesse o nevoeiro que me cercava e num ápice eu visse a Luz... mas depois voltei a mim. Há dura e crua realidade! Como se acordasse de um sonho lindo e magnífico, comparado somente ao paraíso ou mesmo aos campos verdejantes e cintilantes do Monte Olímpo.

Mas se estive por breves momentos lá, só com "força" dos deuses poderei novamente repetir tal sensação, pois se deixar a água percorrer o seu caminho, desde a nascente à foz, conseguirei novamente sonhar e levantar voou...

:)

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Moinhos ... ventos...


Quem ainda não leu Cervantes e o seu livro de Don Quixote De La Mancha? Sinto-me às vezes como aquela personagem, lutando contra os moinhos, o vento, a maré... tudo o que é impossível de atingir, pois os alvos são feitos de massa efémera e inantingíveis... É como tentar que a noite não caía, ou o Sol não nasça pela manhã... Poxa, que triste sina esta de alguém que tem de combater contra este alvo... por vezes existem sinais destes serem atingidos com as estocadas que se lança... mas ... fico na dúvida se caem em saco roto ou se produzem algum efeito...
Resta-me esperar... mas a espera agudiza e torna-nos menos felizes por não conseguirmos atingir o nosso objectivo...
Veremos...
:)

domingo, 16 de setembro de 2007

As dúvidas...

Frase para nao esquecer:

"As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderiamos conquistar, se não fosse o medo de tentar"

William Shakespeare


sexta-feira, 14 de setembro de 2007

sábado, 8 de setembro de 2007

Desamparadamente feliz...

Ando feito um louco. Do estilo rio revolto. Aquele que derruba diques e barragens...
Acresço... ando a entrar por caminhos já mais caminhados por mim. E, por isso, ando desamparado... sem onde me agarrar... mas o melhor é que me sinto bem comigo mesmo. Sinto-me feliz

:)



quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Adoro...

Adoro ver alguém feliz.
Ainda hoje no Metro, olhava para uma criança que brincava com uma garrafa pequenissima, mas que na sua mão tornava-se enorme... mas mesmo assim para aquela criança a sua garrafa era o brinquedo de eleição... Dos seus olhos radiava a alegria e a felicidade :)
Mas também hoje vi uma "criança" mais madura com o mesmo brilho nos olhos, pois está quase a adquirir um dos seus sonhos.
Força, já está quase...

:)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Acredita em ti.

Acredita em ti, mesmo que as circunstâncias da vida sejam as piores, porque só acreditando nos teus potênciais conseguirás alcancar os teus objectivos. Daí dizer que o que não me mata, reforça o meu ser, o meu carácter, e faz de mim um homem melhor...

:)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A dor do silêncio...

A dor do silêncio, de quem aguarda por uma simples palavra... ou um gesto...
De quem, procura a felicidade, e, quando a encontra, se depara com a incerteza e a insegurança de não saber o que fazer, o que dizer, o que pensar..... sei lá!

:)