Outono Chega a passo ...
O Sol ainda se mantem, mas timidamente começa a deitar-se mais cedo, como pedindo desculpa ao Outono...
O frio começa a chegar... As pessoas começam a agasalhar-se mais... os pronúncios de chuva iniciam-se...
Parece tudo mau, mas não o é!
As castanhas estao prestes a serem assadas nas ruas, e o cheirinho de "quentes e boas" invade o nosso corpo, chamando nos para as comer... Há lá coisa melhor que num dia frio e nublado (ou não) comer umas castanhas ? Claro que não :) Pena é de facto não serem acompanhadas por um copo de Jeropiga ou Àgua pé... mas olha ja me contento com as castanhas assadas :)
Na azafama das ruas de Lisboa, já se nota os agasalhos, ténuos ainda, para proteger do frio... e daí?!? Também sabe bem aquele frio na cara, enquanto estamos quentinhos com aquele casacão que se comprou e que nos aquece nas horas de mais "aperto"!
E a chuva? Bem nesses caso, só é mesmo boa, quando estamos em casa a ouvi-la, e viramos nos na cama, no sofá, ou mesmo estando a ver a televisão ou a ouvir um som "daqueles", abençoadas com "A" companhia... e ela, sim a chuva, lá fora... lool
Beijos
:)
As castanhas assadas...!
ResponderEliminarLembro-me de ainda usar dois tótós quando tu, pai, me ofereceste, pela primeira vez, um cartucho de castanhas assadas enquanto passeamos juntos, pela primeira vez, na baixa lisboeta...
E não consigo esquecer esse dia por ter sido o primeiro em tantas outras coisas!... foi a primeira vez que seguraste a mão com força e cheio de orgulho mostravas, aos que passavam por nós, que a tua menina dos cachinhos dourados era a mais bonita de todas!
Não sei se me apaixonei pelas castanhas assadas nesse dia porque elas eram realmente quentes e boas, ou se foi porque me as deste pela primeira vez...
Sei que segurei o pacotinho nas minhas mãos e pensei "que quentinhas!!"... e com toda a certeza que, nesse mesmo instante, fiquei com aquele ar feliz que as meninas bonitas têm nos postais de Natal antigos.
"obrigado pai por estas coisas quentinhas", disse...
E obrigado agora por todas as vezes que me ofereceste castanhas, depois disso.
Nunca me esqueci de todas as vezes que as comemos juntos e que, mais tarde, acompanhamos com um copo de água pé...
Nunca entendi muito bem esse ritual mas sei que hoje sou mais feliz por ter crescido ao teu lado e ter partilhado contigo estes pequenos momentos...
Acho que, desde que partiste, nunca mais comi castanhas assadas. perderam todo o sabor... e eu nunca mais soube o que é beber um copo de água pé no meio de gente amiga e o que é rir com as tuas anedotas, sempre mal contadas.
Nunca tiveste muito jeito para as anedotas, pai. Mas não faz mal! O que eu gostava mesmo é de ver a alegria que carregavas em todas as expressões do teu rosto quando estavas connosco e tentavas ter piada... Será que ainda te lembras?
E será que te lembras de mim, deitada na parte de trás do carro - aquele 127 verde que tiveste - com a cara pregada no vidro para contar todas as estrelas do céu, quando regressávamos a casa já quase de madrugada?
Ainda hoje olho para o céu, durante a noite, e tento contar as mesmas estrelas para nunca te esquecer.
Tenho saudades do teus dedos com cheiro a tabaco... não devias ter fumado tanto, pai! Ele roubou-te o resto da vida que tinhamos para vivermos juntos...
Lamento que só agora, e passado tanto tempo, conheça o verdadeiro sabor das castanhas assadas que me ofereceste... Hoje podiamos estar a preparar um fim de semana com uma barrigada de castanhas e água pé... aquele água pé que o tio tinha lá na adega e que muitas vezes amargava na boca, mas que tu dizias ser perfeita para o deixares mais feliz naquele momento...
Gostava de voltar a comer castanhas contigo, pai... voltar a passear de mão dada e ver-te orgulhoso por estar ao teu lado...
Resta-me apenas a certeza de que tenho o teu sorriso, os teus olhos, o teu mau feitio e que assim vais estar sempre aqui, perto de mim...